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27/5/2007 - Mensagem de Boas Vindas

Aos loucos, insanos, suicidas, etc.

 

 

Não sou normal. Desde pequeno tenho essa impressão. Acho que, na verdade, jamais deveria ter nascido, mas isso é um outro assunto para uma outra ocasião.

Hoje quero falar sobre a vida. O que é? Pra quê serve? De que adianta?

As crianças, por não terem noção nenhuma do que é a vida, não têm medo da morte. Isso é engraçado, levando em consideração o ponto de vista de uma pessoa adulta.

A pessoa adulta, quando quer cometer um suicídio, é porque já não agüenta mais os problemas que a vida proporciona.

Quando uma pessoa adulta tem medo de morrer, é porque a vida dela foi (ou ainda é), pelo ponto de vista da mesma, mais que satisfatória, uma vida que superou as expectativas, que é muito boa para acabar tão cedo.

Quanto ao fato de eu não me achar uma pessoa normal, bem, nos dias de hoje não é normal uma pessoa admirar um nascer do sol, às 6 horas da manhã, numa passarela feita de concreto, sobre um rio totalmente poluído.

Certas pessoas não têm o privilégio de ter uma família. Piores aquelas que têm uma família, porém desejariam jamais terem nascido, assim como eu.

Minha família é excepcionalmente complicada, um exemplo é que, quando dou um bom dinheiro ao meu pai, ele é meu pai pelo resto do mês.

Agora, quando deixo de “ajudar” em casa, meu pai se torna meu credor, meu cobrador, enfim, se torna aquela pessoa que só quer saber do seu dinheiro sem se preocupar com você.

Isso não é uma atitude normal de um pai, sendo assim também não considero a minha família uma família normal.

Antes achava que os suicidas eram pessoas fracas, que não tinham coragem nem capacidade de enfrentar os problemas que a vida proporciona, mas logo percebi que não é bem assim.

Suicidas são pessoas que, na verdade, cansam de esperar que algo ou alguém mude para melhor, simplesmente vêem que não há solução para seus problemas, que são problemas impossíveis de serem solucionados.

E não tiro a razão deles! Muitos problemas que a vida nos proporciona realmente são “insolucionáveis”. É o caso da minha família. Meu pai já está praticamente com o pé na cova, mas não muda o jeito de pensar nem de agir. 72 anos de idade e ainda acha que sempre está certo em tudo, principalmente em me cobrar uma “ajuda”. Se eu ajudo com, digamos, uns R$ 100,00 no mês, estou sendo egoísta, ou sei lá o quê...

Agora, se dou na mão dele uns R$ 500,00, sou o melhor filho do mundo.

Isso que é uma família!

Sabem o que ele me fala? “É, se você estivesse numa pensão, pagaria bem mais!”.

Isso que é um pai de verdade, heim?

Bom, voltando ao caso dos loucos, (isso já está se tornando uma loucura, apesar de eu já estar “muito louco”), certas pessoas são consideradas loucas, são pessoas que pessoas que oferecem algum tipo de perigo ao conviverem com o resto da sociedade.

Tudo bem, em certos casos eu concordo plenamente, mas muitas dessas pessoas são apenas mal compreendidas pelos familiares, pelos amigos e pelas pessoas que fazem parte do cotidiano das mesmas.

Enfim, são pessoas que têm o seu jeito próprio de pensar, de ver a vida, de encarar o dia-a-dia, são apenas pessoas normais, muitas vezes excepcionalmente (gostei dessa palavra, vou usá-la mais vezes) inteligentes, que agem de uma forma totalmente diferente ao que o resto da sociedade se refere como “agir como uma pessoa normal”.

Sou considerado louco por estar escrevendo isso, pode ter certeza.

Mas já nem ligo para o que os outros dizem. Entra por um lado e sai por baixo, para não afetar o outro lado.

Para mim, insano é a mesma coisa que um louco, a diferença é que o insano tem um poder aquisitivo bem maior.

Quando algum advogado alega insanidade temporária, quer dizer que o réu ficou louco apenas por um determinado espaço de tempo. Como isso é possível?

Simplesmente a pessoa, sobre demasiado estado de pressão emocional, esquece temporariamente que a sociedade segue um conjunto de padrões, estipulados não sei por quem, nem quando, chamados de “leis”.

O que vou escrever agora interessa bastante aos suicidas:

Sabia que, ao tentar tirar a sua própria vida, caso você não obtenha o êxito desejado, você responde por um processo criminal.

É verdade! Você responde um processo criminal por tentar tirar a vida de alguém, ou seja, a sua vida!

Engraçado, não é mesmo?

Eu acho mais justo uma pessoa tirar a própria vida do que a mesma comprar uma metralhadora, entrar num cinema e sair atirando a torto e a direito, sem saber quem está matando, sem nenhum motivo aparente (ou convincente), para mais tarde contratar um advogado que alegará essa tal de “insanidade temporária”.

Suicídio é ter que viver em um país onde existe tanta desigualdade, tanto racismo, tanta violência.

Sem falar na poluição, que hoje é um assunto abordado em revistas, jornais, rádios, porém muitos governantes nada fazem para amenizar o estrago causado pelos nossos antepassados.

Temos alguma culpa? Claro que temos! Mas a maior culpa é das pessoas que, no passado, só pensaram nas tão sonhadas evolução e modernização mundial.

Hoje vemos os estragos causados por pessoas que, em busca de uma vida cheia de comodidades, não pensou nas outras que viriam a viver em meio à poluição e ao caos em que hoje nos encontramos.

Mas quem liga para isso, não é mesmo?

Loucura é o trânsito de uma grande metrópole, é a pressa que temos em chegar ao trabalho, ou sair do mesmo e chegar em casa no menor espaço de tempo possível.

Loucura é saber que muitos inocentes morrem, vítimas da famosa bala perdida, que hoje em dia é mais falada e mais mortal do que a AIDS.

Falando em AIDS, alguém sabe me dizer como essa doença surgiu? Como essa pessoa foi infectada e como pôde causar tanto estrago?

Isso que é mundo. Doenças incuráveis, guerras, violência e caos urbanos, fome, miséria...

Você acredita que o mundo vai melhorar? Que a violência vai diminuir? Que tudo acabará bem?

Só mesmo acreditando em Papai Noel e em Coelhinho da Páscoa...

Mas quem sou eu para dizer tal coisa? Sou apenas um louco (se eu tivesse um maior poder aquisitivo, seria insano) que a sociedade ainda não rotulou, julgou e condenou.

Sou um L.A, ou um M.A, ou ainda um D.V.A (Louco Anônimo, Maluco Anônimo ou Doido Varrido Anônimo, você escolhe) que ainda busca um sentido para viver.

Normal é o Presidente George W. Bush, o Ministro Tony Blair, que criaram uma guerra, mas que na verdade nunca fizeram parte dela.

Mas não ligue para o que digo, eu sou um louco, esqueceu?

O homem descobriu a pólvora, não contente descobriu a energia atômica, duas descobertas que nunca deveriam ter existido. Só servem para matar e destruir, ou pelo menos é só para isso que são usadas nos dias de hoje.

Não quero ser um revolucionário, ou líder de alguma ideologia, fico plenamente satisfeito ao saber que, pessoas como você, leram esse texto, conheceram meu modo de pensar, minhas opiniões e minhas idéias e tiveram uma opinião, positiva ou negativa (aposto na segunda opção) sobre a minha pessoa.

Suicidas: encarem seus problemas, sejam fortes. Se já não agüentam mais, se pior não pode ficar, a tendência é melhorar!

Loucos: continuem assim, não sigam as regras que a sociedade impõe. Muitos gênios foram considerados loucos em suas épocas, e seus trabalhos e descobertas mudaram o mundo! Sejam como Einstein, Arquimedes, Beethoven e até mesmo como Jesus Cristo! Jesus foi considerado louco ao dizer: “Quem comer do pão, terá vida eterna. Eu o ressuscitarei no último dia”.

Parabéns! Você passou um bom tempo da sua preciosa vida lendo pensamentos e idéias de uma pessoa que muitos consideram como sendo um louco! O que você tem a dizer sobre isso? Olhe ao seu redor, leia os jornais de hoje, assista aos programas de televisão, veja a situação do mundo em que vive, e só depois diga:

 

Quem escreveu isso é realmente um louco!

 

Ecologia nada mais é do que o peso da consciência humana que se manifesta numa pequena parte da população, enquanto a grande maioria não está nem aí para o que vai ser desse mundo no futuro.

A morte de alguém de nada vai resolver, ou trazer algum benefício. Mas a loucura... Essa sim pode ter, de alguma forma, alguma utilidade e importância para um mundo melhor.

Mas o que isso tudo tem a ver comigo e com minha família? Somos parte dessa sociedade, somos habitantes desse mundo, somos escravos das regras e das leis. Somos todos loucos por ainda vivermos nesse mundo louco...

Ou talvez não...

Boas vindas ao meu blog!

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